Gil Vicente destaca-se de muitos tipos de teatro conhecidos, por motivos como as suas personagens e o tipo de sátira utilizada.
As personagens são muito variadas. Existem desde as personagens tradicionais (pessoas da sociedade) até às figuras teológicas (Diabo, Anjo).
A sátira está presente na caracterização das personagens, no seu vocabulário, nos seus elementos cénicos, nas suas ações e nos graus sociais. Pode ser severa, sarcástica, mesquinha ou obscena, provocando por vezes o cómico. Gil Vicente usou a sátira, principalmente nos autos de moralidade, com o objetivo de expor e criticar de forma construtiva a sociedade, e levar a audiência a refletir acerca dos maus costumes da mesma.
Nesses autos de moralidade, a classe mais criticada é o Clero, principalmente o Frade. Gil Vicente critica a sua desobediência pelos votos de castidade, a sua falsidade, o seu materialismo e o seu desprezo pelas coisas espirituais, pensando que por ser frade, vai ter imunidade dos castigos que Deus reserva para os pecadores. Gil Vicente também criticou os políticos (magistrados e corregedores), o Povo (Alcoviteira, Enforcado), a Burguesia (Onzeneiro) e a Nobreza (Fidalgo).
Gil Vicente critica problemas sociais do século XVI que na atualidade ainda se mantêm, como a corrupção dos políticos, transmitindo a ideia de crítica intemporal. Para além disso, foi buscar inspiração destas críticas a outras culturas e a outros tipos de teatro, como a Comédia Grega, dando a ideia de crítica universal.
Bibliografia:
- Machado, Álvaro Manuel; Dicionário de Literatura Portuguesa; Editorial Presença; 1ª Edição; Lisboa; 1996.
- Barreiros, José Colaço e Guerra, Artur; Dicionário da Literatura Medieval Galega e Portuguesa; Editorial Caminho; 2ª Edição; Lisboa; 1993.
- Lopes, Óscar e Saraiva, António José; História da Literatura Portuguesa; 14ª Edição; Porto Editora; Porto; 1987.